acordámos como que de um sonho, algures a meio da manhã, na casa que nos acolheu e onde, horas antes, um pequeno mar de gente, incluindo nós, festejara o casamento. numa divisão contígua, um senhor de idade e dois jovens dormiam, como nós dormimos, em pequenos colchões rente ao chão. saindo para o pátio interior da casa, algumas crianças a brincar e mulheres em tarefas caseiras. fora da casa, o casamento literalmente esfumara-se: já não havia tenda sob a qual nos sentáramos a ouvir a música árabe amplificada por grandes e ensurdecedoras colunas, nem mesa onde se sentara o noivo enquanto recebia dons em dinheiro, as cadeiras de plástico branco tinham sido praticamente todas recolhidas ou empilhadas a um canto. e a massa humana, noivo, convidados e músicos, desaparecera. foi-nos dito que zahir, o professor de biologia que nos servira de âncora durante a noite e nos indicara o quarto onde dormimos, tinha saído para caçar javalis. fez as honras o sobrinho. rapidamente o nosso quarto ganhou uma mesa de altura adequada às camas, agora tornadas assentos. sobre ela, o típico pequeno-almoço marroquino: pão redondo e estreito, mel, azeite, manteiga, sumo de laranja e café. a conversa desenrolou-se agradavelmente, preguiçosa e bem-disposta. por momentos julgámos perceber que o nosso anfitrião do pequeno-almoço pretendia uma boleia até fès, perto de onde morava, mas não. só voltaria para lá em outubro e convidou-nos a irmos visitá-lo nessa altura. trocaram-se contactos e recebemos figos maduros para a viagem. era tempo de agradecer e partir.
seguimos o percurso inesperadamente interrompido, direção mokrissèt, onde chegámos com facilidade. aí encontrámos uma feira de aldeia, com tendas dispostas ao longo de um descampado, na qual nos decidimos perder um pouco. surpresa: um dos músicos da noite anterior surge-nos ao caminho. uma pequena festa.
abastecidos de água de fonte e uvas prosseguimos viagem, com destino à barragem de al-wahda, que nos escapara na véspera. demos com ela e com o azul da sua albufeira, mais claro que o de chefchaouen, mas tão ou mais deslumbrante. contemplávamos a vista, encostados a um muro de meia altura que nos impedia de aceder a esta enorme e apelativa massa de água em baixo, quando vemos vir na nossa direção, vindo de perto da água, um homem grande e de pele clara, barba farfalhuda e de cabeça rapada, de calças militares e camisa de alças, com alguma barriga. estava visivelmente cansado da subida. oferecemos-lhe figos. declinou. em francês, explicou-nos que o sítio em que nos encontrávamos era interdito a não marroquinos, que havia equipamento militar e não podíamos tirar fotos. olhámos em redor. na terra amarela dourada que descia até ao azul da albufeira podia ver-se, mais sobre a esquerda, uma tenda militar ladeada de um camião. mais à direita e ao fundo, a parelha repetia-se. ficámos sem perceber a que equipamento militar ele se referia. depois do tiago lhe ter afiançado que não tiráramos fotografias (informação incorreta, como verão no próximo post de fotos, mas que o Tiago desconhecia), perguntámos o de nos poderíamos banhar. apontou-nos para jusante da albufeira. agradecemos e prosseguimos. junto a uma ponte e na companhia de vários marroquinos, pusemos as rodas da OphéliA na água e tomámos o nosso banho de rio.
chegámos a fès ao fim da tarde, ainda com luz natural. estacionámos, negociámos o preço do lugar com o gardien e bebemos um chá de menta. facilmente demos com o hotel cascade, à entrada da medina, junto à porta bab boujeloud, onde jantámos e adormecemos no terraço, embalados pela noite quente.

Adoro a barba do zé! E a sandália branca com fecho de velcro....também do zé! Tb adoraria a barba da Ana se ela tivesse uma...pena! :)
ResponderEliminarBeijos para todos =)