dia de costa, palmilhando a estrada r301, que liga essaouira a el-jadida. agora sim em registo surftrip.
levantámo-nos cedo e, após sujarmos de novo as mãos com a peça partida na OphéliA, arrancámos pela estrada à beira mar. praias enormes, rocha, paisagem árida, poucas árvores, poucas casas. aldeias de pescadores. começam-se a ver surfistas (poucos), estrangeiros e marroquinos. é curioso que vemos mais dromedários aqui do que no interior. paramos numa praia de pescadores, que formava uma enseada natural protegida por rochas no mar, com muitos barcos, algumas casas e pessoas. é a altura da prancha e do pedro se fazerem à água. uma estreia. por aqui almoçamos, numa esplanada/tenda improvisada mesmo junto ao mar junto a um boteco. não se fala francês, fazemo-nos entender por desenhos e gestos. deparamo-nos com uma nova forma de negociar marroquina: é-nos dado um preço, no caso cinco dirhams, pagamos com uma moeda maior, é-nos negado o troco, entre gestos de "está certo". fazem-nos isto no sítio onde comemos e novamente onde compramos algo para cozinhar para o jantar.
seguimos para norte. tentamos parar para o pôr-do-sol junto ao mar, mas não chegamos a dar com o caminho para a praia. jogamos à peteca. seguimos caminho já de noite. atravessamos safi e o seu complexo químico-industrial. às escuras e às alpapadelas, damos com uma praia, já passaria das 21:30. à chegada vemos uma casa de janelas abertas, de onde saía a luz de velas. na penumbra, um homem explica-nos que se trata de um café, que está aberto, mas que não dispõe de energia elétrica (a pergunta se tem wifi é bastante fora de contexto). de dentro do bar, um outro homem, bêbado, insulta-nos em italiano. descemos à praia. enquanto descemos a escadaria para a praia o tiago exclama: "nunca mais bebo! os bêbados são tão chatos!". rimos. mais um episódio de excesso de álcool marroquino. no entretanto, percebemos que o sítio é perfeito para dormir, mesmo com o forte barulho das ondas do mar. notamos que já há duas tendas montadas e acabamos por ser abordados por três vultos, aos quais não conseguimos ver bem a cara, que referem ser de uma associação de surf de safi. tecnicamente não podemos acampar ali, mas por uma noite é ok. convidam-nos a montar tenda ao pé da deles. preparamos o jantar. o bêbado dá-se ao trabalho de descer a escadaria e andar uns bons metros até ao pé de nós para pedir tabaco. ignoramos total e deliberadamente. lá se farta, profere mais uns insultos e volta a subir a escadaria para o café, cambaleando.
assistimos ao pôr-da-lua no mar. a lua vai-se tornando mais avermelhada enquanto desce e o momento é bonito. adormecemos na tenda.

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