quarta-feira, 10 de setembro de 2014

jour #12 lá... em lalla fatna


lalla fatna... duas palavras a repetir como um mantra, a proferir como uma pequena oração numa qualquer noite europeia cinzenta e chuvosa. lalla fatna. enfim... se calhar estamos a exagerar um bocado, mas foi um dia mesmo bom.
é curioso ver o efeito que a luz do sol tem sobre os nossos olhos. a praia que na noite anterior nos pediu reserva, pelos seus vultos desconhecidos e sem rosto visível, revelou-se uma pequena pérola. não por ser de uma beleza natural fora de série (a costa portuguesa, em especial o sudoeste, bate lalla fatna aos pontos), mas pela componente humana.
o bar a que chegáramos de noite pertencia efetivamente à association de surf et bodybord de safi (asbs). as pessoas com que faláramos na praia e que dormiram na tenda ao pé de nós pertenciam à associação, praticamente viviam ali na praia. encontrámos uma turminha do surf marroquina! yassime, sallam (nadador-salvador que apareceu de manhã), o presidente da associação, e mais outros... e ainda artur, francês a ficar por marrocos um ano, surfando, ou nádia, uma surfergirl marroquina com uma bela juba de caracóis. não podíamos ter sido melhor acolhidos. de forma simples, partilhámos o dia. o pedro fez-se ao mar para uma manhã de surf. comemos uma grande tajine em conjunto (só batatas, cenouras e pão para alguns). jogámos peteca e vólei de praia. nadámos. um belo dia.
a meio da tarde, depois das despedidas, seguimos para norte. parámos numa pequena terreola para fazer um furo no metal da peça que compráramos para a OphéliA (não sendo peça original, precisava de um desenrascanço). passámos por uma laguna. passámos por campos de legumes e por salinas de beira-mar. acabámos por parar numa praia para o pôr-do-sol. não era deslumbrante, havia algum lixo no areal. vários miúdos brincavam solitários por lá, havia tendas de pescadores, com a aparência de lá estarem a passar uma temporada. alguns homens dentro de água pescavam à linha, indiferentes ao vento. um monte de algas acumulava-se junto à linha da água. e ainda assim foi neste cenário, não exatamente idílico, que nos sentámos na areia a ver o sol cair no mar. silenciosos. os quatro imersos nos seus pensamentos e sensações. sem necessidade ou vontade de falar.
ainda seguimos até el-jadida (antiga mazagão portuguesa), onde jantámos e fomos dormir, sem mais.

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