el-jadida. mazagão durante os mais de duzentos e cinquenta anos em que esta cidade foi portuguesa. a última presença lusa em solo marroquino. abandonada em 1769, na sequência de um tratado de paz com o sultão mohammed iii, a população portuguesa foi transferida para a amazónia, para fundar a nova mazagão.
deixámo-nos preguiçar de manhã pelo hotel royal (bela decoração...) e pelo café do outro lado rua onde serviam o pequeno-almoço, marroquino claro está (ai as saudades...). o ritmo e a força eram já de fim de viagem. se precisávamos de um dia para tanger-lisboa (cerca de 700km, com ferrie), precisaríamos antes de outro para el-jadida-tanger (cerca de 500km).
hesitámos um pouco. seguir logo ou fazer uma pequena volta pela cidadela portuguesa? venceu a segunda hipótese, e venceu bem. a cidadela não é grande, o passeio é agradável, casou bem com a leveza de final de viagem que sentíamos. hora de almoço que era, encontrámos a cisterna portuguesa, principal atração da cidadela, fechada. decidimos por uma volta antes de partir, prescindindo da cisterna, mas o plano sairia furado, e ainda bem. ao fundo da rua vimos uma porta aberta. dela saiu alguém com um tabuleiro e dois pães. seria uma padaria? poderíamos entrar? entrámos. era melhor que uma padaria. era um forno comunitário! foi-nos explicado que as famílias da citadela vinham ali trazer o seu pão para ser cozido no forno. cada família trazia o seu tabuleiro com um pano próprio, o que permitia perceber a quem pertencia o pão. estávamos no local onde os barcos portugueses acostavam na cidade, a porta do mar. havia sardinhas e vegetais no forno, ao cuidado de três homens. foi-nos explicado como se fazia o pão marroquino (para mais detalhes contactar o tiago). perguntámos se era possível comprar um pão. não. era só um forno comunitário. talvez pelo interesse que manifestámos, o senhor que nos foi fazendo as explicações levou-nos a sua casa, ali ao lado. entrámos num pátio onde algumas mulheres se afadigavam em tarefas domésticas: amassar o pão, cortar legumes para uma tajine... circulavam crianças. fizeram-nos dois pães, que o senhor colocou num tabuleiro, dado sem hesitação para as mãos da ana. e lá atravessámos nós as ruas da cidadela portuguesa de el-jadida com um tabuleiro com dois pães, a caminho de um forno. dentro das experiências comunitárias marroquinas a reter, os fornos comunitários ombreiam com os hammams. trazíamos os dois para portugal.
entre tanto tempo, e com mais moleza em cima, já era só mais um bocadinho para vermos a cisterna. foi passear pela muralha virada ao mar, vendo antigas igrejas e sinagogas (os judeus instalaram-se após a saída dos portugueses) e fez-se hora. lá fomos nós. valeu a pena ficar para ver. é uma construção bonita, cheia de jogos de luz, com uma atmosfera de um silêncio profundo.
chegara a hora de começar a viagem de regresso, em modo puro de viagem de regresso. apanhámos a autoestrada em direção a tanger e seguimos. seguimos, seguimos, seguimos. atravessámos rabat (falhámos uma saída), mas rapidamente e com a ajuda de um marroquino a quem demos uma pequena boleia (um feito, dada a quantidade de carga e pessoal residente da OphéliA), lá retomámos a rota. a ideia era dormir em asilah (antiga arzila), e para lá seguimos. jantámos tarde, no autoproclamado melhor restaurante da cidade (não nos deixou grande recordação, pese embora o marketing), e ponderámos o que fazer. passava da uma. verificámos que tínhamos de apanhar o ferrie às oito (depois só à uma...), sendo que de asilah a tanger ainda eram 50km. optámos por nos aproximar de tanger. assim o fizemos. adormecemos os 4 dentro da OphéliA (outro feito), junto a um farol a uma hora incerta. diz o pedro (que teve dificuldade em dormir) que um polícia rondou o carro, mas não nos quis acordar. shukran, senhor agente, shukran!

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