a vida tende para um equilíbrio. depois de um dia longo, muito longo, era inevitável um dia curto. acordámos pelas três e meia da tarde, a tempo de dizer que não ficaríamos outra noite. o pequeno-almoço foi um momento importante para sintonizar o grupo e podermos seguir leves, com o dia anterior bem digerido.
ainda fomos espreitar as cascatas e ver as vistas. as cascatas eram bonitas, mas as lojas e tendas no caminho, com alguma sujidade associada, pesavam um pouco a vista. do miradouro conseguimos perceber o encanto que este sítio pode ter para um viajante: pequenos trilhos pelas serras avermelhadas. não seriam percorridos por nós: o motor da OphéliA pedia estrada e marrakech. saímos pelas seis e meia, bastante bem dispostos, tocando e cantando ao longo do caminho.
parámos ao pôr-do-sol para um jogo de peteca à beira da estrada, que deu direito a uma conversa com um marroquino emigrado em itália há dez anos. a conversa fluiu em italiano, o que nos surpreendeu, e ficámos a saber que tinha casado há dois anos com uma mulher de marrocos, a viver aqui. ficámos a magicar como teria ele conhecido a mulher, de cá, estando lá... o nosso guia explicava que os hammams femininos jogam um papel importante na escolha das noivas: a mãe do homem pode avaliar a futura esposa sem as condicionantes de vestuário que são bastante evidentes na sociedade marroquina, em particular nos meios pequenos e de interior (vestidos completos e largos, cabelos escondidos). teria sido assim? teria havido intervenção de outro tipo da mãe dele? um encontro num querido mês de agosto anterior? haveria facebook envolvido? ficámos sem saber. tinham uma filha pequena.
seguimos a rota para marrakech, já com a noite sobre nós, onde chegámos pelas dez e meia. encontrámos lugar para a OphéliA dentro das muralhas, e repetimos um hotel já conhecido do tiago, o hotel medina, onde nos instalámos. uma volta até à praça jemal el-fna para jantar, acompanhado dos inevitáveis sumos de laranja, e para ver a animação noturna da praça. adormecemos no terraço do hotel. era perto da uma.

Sem comentários:
Enviar um comentário